quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Titane (2021)

 



Titane (2021), dirigido por Julia Ducournau, é uma obra-prima do terror corporal moderno que discute identidade e amor incondicional. Vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes, o filme choca pelas metáforas visuais extremas, misturando carne, metal e fluidos automotivos.

O trauma inicial: Na infância, Alexia sofre um grave acidente de carro causado pelo pai e recebe um implante de uma placa de titânio no crânio. A partir disso, ela desenvolve uma forte e bizarra fixação por automóveis. 

A vida adulta: Alexia trabalha como dançarina erótica em eventos de carros. Paralelamente, ela age de forma psicopática e comete uma série de assassinatos brutais utilizando uma agulha de metal de cabelo.

A gravidez fantástica: Após uma bizarra relação sexual com um carro, Alexia engravida do veículo. Seu corpo começa a se transformar de forma dolorosa, vazando óleo de motor em vez de fluidos biológicos.

A fuga e nova identidade: Procurada pela polícia, ela raspa a cabeça, quebra o próprio nariz e amarra a barriga para esconder a gravidez. Ela assume a identidade de Adrien, um jovem desaparecido há dez anos.

O encontro com Vincent: O pai de Adrien, um capitão dos bombeiros obcecado por testosterona e envelhecimento, aceita Alexia como seu filho sem hesitar. Uma estranha, mas profunda, relação de afeto nasce entre os dois corpos disfuncionais.

Análise Crítica e Temas Principais. Body Horror e a Fusão Humano-MáquinaO filme bebe diretamente da fonte do body horror de David Cronenberg (especialmente do clássico Crash de 1996). Ducournau descontrói as barreiras de gênero e biologia: a carne sangra, mas também expele óleo preto e ferro. A gestação de um híbrido humano-metal funciona como metáfora da total rejeição de Alexia pelo lado humano normativo da sociedade.

Transgressores de Gênero e Identidades Fluídas. Ao adotar a persona de Adrien, Alexia adentra um universo hipermasculino de bombeiros. Contudo, a diretora desconstrói essa masculinidade frágil. Vincent injeta esteroides para manter a ilusão de força, enquanto Alexia esconde sua gestação sob uniformes pesados. Ambos performam papéis de gênero que não condizem com suas realidades físicas.

O Amor Escolhido e a Nova Família. Apesar da violência gráfica extrema da primeira metade, o coração do longa é um melodrama sobre solidão e acolhimento. Vincent sabe, no fundo, que Adrien não é seu filho biológico, mas escolhe aceitá-lo incondicionalmente. Duas pessoas profundamente machucadas e solitárias criam uma conexão autêntica de amor e proteção onde o julgamento estético e biológico deixa de existir



Filme de terror fora do padrão. Temas recorrentes hoje na sociedade estão no filme de forma simbólica. Ou seja, é um filme politizado e progressista, por isso, certamente, ganhou a Palma de Ouro. Apesar desse direcionamento político claro, é um filme bom. Minha nota 8 de 10.

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Uma coisa é uma coisa...

 

Os índices positivos da economia estão sendo sustentados via gastos públicos bilionários. Enquanto isso, a economia real passa mal...




segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Alpha

 



O filme francês Alpha (2025), dirigido pela aclamada cineasta Julia Ducournau (vencedora da Palma de Ouro por Titane), é um drama de horror corporal e amadurecimento (coming-of-age) ambientado na cidade portuária de Le Havre durante a década de 1980. A obra funciona como uma forte alegoria à epidemia de AIDS/HIV e ao preconceito social daquela época. (o filme está no MUBI)

O Enredo Principal.

Alpha (Mélissa Boros) é uma adolescente de 13 anos de origem franco-marroquina que sofre bullying na escola e vive em um apartamento apertado com a família.  Ela mora com a mãe solteira (Golshifteh Farahani), uma médica dedicada, e seu tio Amin (Tahar Rahim), um homem dependente de heroína que vive trancafiado no local. O Elemento Fantástico: A sociedade do filme enfrenta uma misteriosa e letal epidemia sanguínea que transforma lentamente os infectados em mármore (uma estátua de pedra). A mãe de Alpha trabalha diretamente na linha de frente cuidando desses pacientes. A trama atinge seu estopim quando Alpha vai a uma festa e faz uma tatuagem caseira com uma agulha compartilhada. Quando o local infecciona, o pânico toma conta da família e da escola. Rapidamente, boatos se espalham de que ela contraiu a doença da petrificação. A partir daí, a jovem passa a enfrentar o isolamento, o julgamento moral e a paranoia médica de sua própria mãe, enquanto lida com as transformações e o horror de seu próprio corpo.

O final, puramente simbólico, nos causa estranheza e ao mesmo tempo reflexões. Minha nota: 8 de 10.


Os atores principais do elenco do filme francês Alpha (2025) são:

Mélissa Boros como Alpha (a protagonista de 13 anos).

Tahar Rahim como Amin (o tio de Alpha).

Golshifteh Farahani como Maman (a mãe de Alpha, que trabalha como médica).

Emma Mackey como a enfermeira (Infirmière).

Finnegan Oldfield como o professor de inglês (Professeur d'anglais).Louai El Amrousy como Adrien.


Julia Ducournau é uma das vozes mais provocativas e prestigiadas do cinema contemporâneo mundial, amplamente reconhecida por redefinir o gênero do horror corporal (body horror) moderno. Nascida em Paris em 1983, a cineasta e roteirista francesa formou-se na renomada escola de cinema La Fémis. Suas produções equilibram o grotesco e o bizarro com profundas e poéticas alegorias sobre a condição humana, o isolamento e os laços afetivos. 

Estilo e Marcas

Metamorfoses Reais: Seus filmes focam nas transformações radicais da carne. Seja através do canibalismo, da fusão com o metal ou da petrificação em pedra, ela usa o físico para espelhar crises psicológicas.Parceria Visual: Ela trabalha constantemente com o mesmo diretor de fotografia, Ruben Impens, construindo uma estética marcante e estilizada para suas narrativas viscerais. Provocação Emocional: Ducournau busca chocar pelo inesperado, mas sempre amarra os seus momentos aterrorizantes a temas profundos de ternura, vulnerabilidade e aceitação social.


Principais Filmes da Carreira

Raw / Grave (2016): Seu longa de estreia acompanha uma jovem vegetariana em uma faculdade de veterinária que, após um trote, desenvolve um desejo incontrolável por carne humana. O filme chocou festivais e recebeu o prestigiado prêmio FIPRESCI em Cannes.

Titane (2021): Obra visceral que fez história ao consagrá-la como a segunda mulher na história (e a primeira de forma solo) a ganhar a Palma de Ouro no Festival de Cannes. A trama aborda uma mulher com uma placa de titânio na cabeça e sua relação obsessiva com automóveis.

Alpha (2025): Seu projeto mais ambicioso até o momento. Ela utiliza a transformação dos infectados em mármore como uma forte metáfora histórica sobre a discriminação e o pânico moral de uma epidemia

domingo, 2 de agosto de 2026

Em Defesa de Jacob

 


Em Defesa de Jacob (Defending Jacob) é um drama policial focado no teste definitivo dos laços familiares diante de uma acusação terrível. A minissérie possui 8 episódios. Eu gostei da minissérie, ela consegue manter a atenção até um final dúbio. MINHA NOTA: 7 de 10. (Apple TV)

Um violento assassinato de um jovem choca uma comunidade pacífica em Massachusetts.

Jacob, um garoto de 14 anos, torna-se o principal suspeito do crime.

O pai de Jacob é o promotor de justiça da cidade e precisa escolher entre seu dever profissional e o amor pelo filho.


Dilema Ético: A investigação força os pais a questionarem o quanto realmente conhecem o próprio filho.

Impacto Psicológico: A série explora o isolamento social e a destruição da reputação de uma família antes mesmo do julgamento.

Mistério Constante: A narrativa constrói uma dúvida constante no espectador sobre a inocência ou culpa do jovem.




Elenco Principal

Chris Evans: Interpreta Andy Barber, o pai e promotor de justiça.

Michelle Dockery: Interpreta Laurie Barber, a mãe de Jacob.

Jaeden Martell: Interpreta Jacob Barber, o jovem acusado do crime.

Cherry Jones: Interpreta Joanna Klein, a advogada de defesa.

Pablo Schreiber: Interpreta Neal Loguidice, o promotor concorrente.

J.K. Simmons: Interpreta Billy Barber, o pai de Andy

LIVRO: A vida futura

  O romance A Vida Futura (2022), escrito por Sérgio Rodrigues , é uma sátira literária em que os espíritos de Machado de Assis e José de Al...