segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Alpha

 



O filme francês Alpha (2025), dirigido pela aclamada cineasta Julia Ducournau (vencedora da Palma de Ouro por Titane), é um drama de horror corporal e amadurecimento (coming-of-age) ambientado na cidade portuária de Le Havre durante a década de 1980. A obra funciona como uma forte alegoria à epidemia de AIDS/HIV e ao preconceito social daquela época. (o filme está no MUBI)

O Enredo Principal.

Alpha (Mélissa Boros) é uma adolescente de 13 anos de origem franco-marroquina que sofre bullying na escola e vive em um apartamento apertado com a família.  Ela mora com a mãe solteira (Golshifteh Farahani), uma médica dedicada, e seu tio Amin (Tahar Rahim), um homem dependente de heroína que vive trancafiado no local. O Elemento Fantástico: A sociedade do filme enfrenta uma misteriosa e letal epidemia sanguínea que transforma lentamente os infectados em mármore (uma estátua de pedra). A mãe de Alpha trabalha diretamente na linha de frente cuidando desses pacientes. A trama atinge seu estopim quando Alpha vai a uma festa e faz uma tatuagem caseira com uma agulha compartilhada. Quando o local infecciona, o pânico toma conta da família e da escola. Rapidamente, boatos se espalham de que ela contraiu a doença da petrificação. A partir daí, a jovem passa a enfrentar o isolamento, o julgamento moral e a paranoia médica de sua própria mãe, enquanto lida com as transformações e o horror de seu próprio corpo.

O final, puramente simbólico, nos causa estranheza e ao mesmo tempo reflexões. Minha nota: 8 de 10.


Os atores principais do elenco do filme francês Alpha (2025) são:

Mélissa Boros como Alpha (a protagonista de 13 anos).

Tahar Rahim como Amin (o tio de Alpha).

Golshifteh Farahani como Maman (a mãe de Alpha, que trabalha como médica).

Emma Mackey como a enfermeira (Infirmière).

Finnegan Oldfield como o professor de inglês (Professeur d'anglais).Louai El Amrousy como Adrien.


Julia Ducournau é uma das vozes mais provocativas e prestigiadas do cinema contemporâneo mundial, amplamente reconhecida por redefinir o gênero do horror corporal (body horror) moderno. Nascida em Paris em 1983, a cineasta e roteirista francesa formou-se na renomada escola de cinema La Fémis. Suas produções equilibram o grotesco e o bizarro com profundas e poéticas alegorias sobre a condição humana, o isolamento e os laços afetivos. 

Estilo e Marcas

Metamorfoses Reais: Seus filmes focam nas transformações radicais da carne. Seja através do canibalismo, da fusão com o metal ou da petrificação em pedra, ela usa o físico para espelhar crises psicológicas.Parceria Visual: Ela trabalha constantemente com o mesmo diretor de fotografia, Ruben Impens, construindo uma estética marcante e estilizada para suas narrativas viscerais. Provocação Emocional: Ducournau busca chocar pelo inesperado, mas sempre amarra os seus momentos aterrorizantes a temas profundos de ternura, vulnerabilidade e aceitação social.


Principais Filmes da Carreira

Raw / Grave (2016): Seu longa de estreia acompanha uma jovem vegetariana em uma faculdade de veterinária que, após um trote, desenvolve um desejo incontrolável por carne humana. O filme chocou festivais e recebeu o prestigiado prêmio FIPRESCI em Cannes.

Titane (2021): Obra visceral que fez história ao consagrá-la como a segunda mulher na história (e a primeira de forma solo) a ganhar a Palma de Ouro no Festival de Cannes. A trama aborda uma mulher com uma placa de titânio na cabeça e sua relação obsessiva com automóveis.

Alpha (2025): Seu projeto mais ambicioso até o momento. Ela utiliza a transformação dos infectados em mármore como uma forte metáfora histórica sobre a discriminação e o pânico moral de uma epidemia

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