O filme A Casa Torta (Crooked House, 2017), baseado em um dos livros favoritos de Agatha Christie e disponível na HBO Max, é um suspense de mistério elegante, mas que peca pela falta de ritmo e por um protagonista apagado. Embora traga a clássica e deliciosa estrutura de "quem matou?" (whodunnit), a direção de Gilles Paquet-Brenner entrega menos tensão do que o material original exigia.
A história acompanha o detetive Charles Hayward (Max Irons), que é contratado por sua ex-amante, Sophia (Stefanie Martini), para investigar a morte por envenenamento do patriarca bilionário Aristide Leonides em sua mansão isolada.
Co-escrito por Julian Fellowes (criador de Downton Abbey), o roteiro consegue transpor os diálogos ácidos e as dinâmicas aristocráticas da obra de 1949. O duplo sentido do título original (Crooked serve tanto para a arquitetura física quanto para a moral "torta" daquela família) é muito bem explorado.
A Grande Reviravolta: O ápice do filme reside no desfecho chocante. Fiel ao livro, o final aborda temas sombrios como a psicopatia infantil, mantendo o impacto dramático e bizarro que consagrou a obra.
O grande trunfo do filme está nos suspeitos. Glenn Close (Lady Edith), Gillian Anderson (Magda) e Terence Stamp (Inspetor Taverner) roubam a cena com performances teatrais que refletem o tédio, a ganância e a excentricidade de personagens desconectados da realidade.
Protagonista Fraco: Em contrapartida, a atuação de Max Irons como o detetive Charles é criticada por ser inexpressiva e sem sal. Ele falha em carregar o peso do filme, tornando os interrogatórios um tanto arrastados e desconexos.
Visual Deslumbrante: A direção de arte e os figurinos são excepcionais. A ambientação da mansão funciona quase como um personagem vivo, onde cada cômodo reflete a personalidade decadente e claustrofóbica de seus moradores.
O diretor peca ao insistir em flashbacks repetitivos sobre o romance passado dos protagonistas, o que quebra a tensão e acrescenta pouco à investigação principal. Falta ao filme aquela atmosfera pulsante de perigo iminente. A Casa Torta funciona como um bom entretenimento "confortável" para os fãs de mistérios clássicos em ambientes fechados. Ele brilha em seus aspectos técnicos e no elenco de veteranos, mas perde pontos pelo ritmo lento e pela falta de carisma de seu herói. Vale o play na HBO Max especialmente pelo seu terço final e pela coragem de manter o encerramento trágico escrito por Agatha Christie.
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Análise do Genini
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Sou fã dos livros da Agatha Christie e já vi outros filmes adaptados da sua obra. Como diz o Gemini e eu concordo, o ritmo peca um pouco e o final abrupto e trágico me deixou com uma sensação de que aquilo poderia ter sido feito melhor. Minha nota: 7 de 10.
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