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sábado, 26 de setembro de 2026

A Casa Torta, 2017

 


O filme A Casa Torta (Crooked House, 2017), baseado em um dos livros favoritos de Agatha Christie e disponível na HBO Max, é um suspense de mistério elegante, mas que peca pela falta de ritmo e por um protagonista apagado. Embora traga a clássica e deliciosa estrutura de "quem matou?" (whodunnit), a direção de Gilles Paquet-Brenner entrega menos tensão do que o material original exigia. 

A história acompanha o detetive Charles Hayward (Max Irons), que é contratado por sua ex-amante, Sophia (Stefanie Martini), para investigar a morte por envenenamento do patriarca bilionário Aristide Leonides em sua mansão isolada.

Co-escrito por Julian Fellowes (criador de Downton Abbey), o roteiro consegue transpor os diálogos ácidos e as dinâmicas aristocráticas da obra de 1949. O duplo sentido do título original (Crooked serve tanto para a arquitetura física quanto para a moral "torta" daquela família) é muito bem explorado.

A Grande Reviravolta: O ápice do filme reside no desfecho chocante. Fiel ao livro, o final aborda temas sombrios como a psicopatia infantil, mantendo o impacto dramático e bizarro que consagrou a obra.

 O grande trunfo do filme está nos suspeitos. Glenn Close (Lady Edith), Gillian Anderson (Magda) e Terence Stamp (Inspetor Taverner) roubam a cena com performances teatrais que refletem o tédio, a ganância e a excentricidade de personagens desconectados da realidade.

Protagonista Fraco: Em contrapartida, a atuação de Max Irons como o detetive Charles é criticada por ser inexpressiva e sem sal. Ele falha em carregar o peso do filme, tornando os interrogatórios um tanto arrastados e desconexos.

Visual Deslumbrante: A direção de arte e os figurinos são excepcionais. A ambientação da mansão funciona quase como um personagem vivo, onde cada cômodo reflete a personalidade decadente e claustrofóbica de seus moradores. 

O diretor peca ao insistir em flashbacks repetitivos sobre o romance passado dos protagonistas, o que quebra a tensão e acrescenta pouco à investigação principal. Falta ao filme aquela atmosfera pulsante de perigo iminente. A Casa Torta funciona como um bom entretenimento "confortável" para os fãs de mistérios clássicos em ambientes fechados. Ele brilha em seus aspectos técnicos e no elenco de veteranos, mas perde pontos pelo ritmo lento e pela falta de carisma de seu herói. Vale o play na HBO Max especialmente pelo seu terço final e pela coragem de manter o encerramento trágico escrito por Agatha Christie.

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Análise do Genini

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Sou fã dos livros da Agatha Christie e já vi outros filmes adaptados da sua obra. Como diz o Gemini e eu concordo, o ritmo peca um pouco e o final abrupto e trágico me deixou com uma sensação de que aquilo poderia ter sido feito melhor. Minha nota: 7 de 10.

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Filme: Eu Vi o Diabo

 



Dirigido por Kim Jee-woon e lançado em 2010, o aclamado thriller sul-coreano Eu Vi o Diabo (Akmareul boatda) acompanha um agente secreto (Lee Byung-hun) que caça de forma sádica e implacável o serial killer (Choi Min-sik) responsável pelo brutal assassinato de sua noiva, transformando a vingança em um ciclo de extrema crueldade moral.

O filme foge das estruturas tradicionais de suspense ao estabelecer o conflito principal logo nos minutos iniciais. O agente Kim Soo-hyeon não quer apenas entregar o criminoso Jang Kyung-chul à lei; ele deseja infligir dor física e psicológica equivalente à que sofreu.

O herói cruza limites éticos profundos.O caçador adota métodos tão monstruosos quanto os da presa.A justiça cede lugar a um sadismo pessoal e metódico. A grande força da obra está na inversão constante de papéis. Choi Min-sik interpreta um psicopata visceral, que não possui motivações complexas ou arrependimento, agindo como a pura personificação do mal instintivo. À medida que Soo-hyeon o persegue, tortura e deixa escapar propositalmente apenas para caçá-lo de novo, o agente perde sua humanidade. O filme questiona quem é o verdadeiro monstro da história.A linha divisória entre o bem e o mal se apaga por completo. A violência gráfica serve como reflexão sobre o custo corrosivo da vingança.

(Gemini)


Superficialmente, o filme pode ser visto como a velha narrativa da vingança consumindo o vingador, e até certo ponto, é exatamente isso. Vemos a tristeza tomando conta de Soo, transformando-se em ódio e obsessão, construindo todo o arco de desumanização do personagem. Porém, a obra acaba usando a temática como uma forma de expressar algo mais melindroso, profundo e ambíguo: a crueldade da natureza humana. Primeiramente, o cineasta concebe um paralelo entre os dois protagonistas. Soo está, inicialmente, sempre limpo, organizado e determinado, enquanto Jang é o símbolo da malignidade; ensanguentado, sujo e desordenado. E aos pouquinhos, o típico retrato do bem e do mal vai perdendo a força, ficando borrado. Os papéis de vítimas se invertem constantemente, e a trama toma ares de uma competição perversa – com um teor de humor negro -, no qual a vingança em si perde o propósito, restando a mera selvageria.

Eu Vi o Diabo (Angmareul boatda) — Coréia do Sul, 2010
Direção: Jee-woon Kim
Roteiro: Jee-woon Kim, Hoon-jung Park
Elenco: Byung-hun Lee, Min-sik Choi, Jeon Gook-Hwan, Ho-jin Chun, San-ha Oh, Yoon-seo Kim, Moo-seong Choi, In-seo Kim
Duração: 144 min.

O FILME ESTÁ NO MUBI

((Plano Crítico)



O filme de fato é um espetáculo de violência gráfica extrema que ilustra perfeitamente o que o diretor quer mostrar: que a natureza humana caminha em uma corda bamba entre justiça, vingança e barbárie.

Minha nota: 10 de 10.


quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Filme: Planeta Solitário

 



Planeta Solitário (The Loneliest Planet, 2011), dirigido por Julia Loktev e estrelado por Gael García Bernal e Hani Furstenberg, é um drama minimalista que se passa nas montanhas do Cáucaso, na Geórgia. O filme acompanha um casal prestes a se casar em uma caminhada guiada que sofre uma reviravolta sutil, porém devastadora, quando um momento de perigo expõe a fragilidade e a covardia momentânea dele, destruindo a confiança mútua.

A diretora usa a imensidão árida e opressora das montanhas como um espelho do vazio emocional. A natureza grandiosa diminui os humanos, transformando a caminhada em um estudo psicológico sufocante.

Sem recorrer a grandes tragédias hollywoodianas, o roteiro aposta em um incidente menor. A reação instintiva de Alex de se proteger antes de Nica quebra o pacto invisível de segurança do casal.

 As interpretações de Bernal e Furstenberg são cruciais. O filme evita diálogos excessivos, deixando que silêncios, olhares e o peso do corpo transmitam a decepção, o julgamento e o desconforto.

Críticos apontam que a obra funciona como um teste de paciência: para alguns, é uma disseprocção brilhante e realista de como o amor pode ruir em segundos; para outros, o ritmo contemplativo beira o enfadonho pelo excessivo prolongamento da premissa.

A cena da virada ocorre de forma abrupta e dura apenas alguns segundos, mudando completamente o tom do filme. Durante a caminhada pelas montanhas da Geórgia, o casal (Alex e Nica) e o guia local (Dato) encontram no meio do nada três camponeses locais. Inicialmente, o encontro parece apenas um momento tenso de choque cultural, mas a situação escala rapidamente quando um dos camponeses aponta uma espingarda na direção do grupo. Nesse milésimo de segundo de perigo iminente, o instinto de sobrevivência fala mais alto: Alex reage instintivamente dando um passo para trás e usando o corpo de Nica como um "escudo humano" invisível, colocando-a entre ele e a arma. Logo em seguida, o guia Dato intervém calmamente, acalma os homens e o perigo passa. Ninguém se fere e os camponeses vão embora. No entanto, o estrago psicológico já está feito.

O que torna essa cena brilhante e devastadora é que o "crime" de Alex dura menos de dois segundos, mas é imperdoável para a dinâmica do casal. Não há gritos ou discussões após o ocorrido; o resto da viagem é sufocado por um silêncio insuportável. Nica percebe que, no momento mais extremo, o homem com quem ela ia se casar priorizou a própria vida em vez de protegê-la.

Após o incidente com a arma, a dinâmica do trio muda drasticamente. O abismo emocional que se abre entre Nica e Alex cria um espaço vulnerável, e é exatamente aí que o guia, Dato, entra. A cena carrega vários significados profundos para a narrativa.

Pouco antes, o filme estabelece uma aproximação entre Nica e Dato. Ele compartilha com ela um pouco do seu passado melancólico (revelando que sua esposa o deixou e que ele vive em extrema solidão). Há um sentimento latente de fragilidade no ar. Nica está profundamente machucada pela covardia de Alex, e Dato representa a figura de proteção — afinal, foi ele quem manteve a calma e desarmou a situação de perigo.

Quando Nica faz um gesto amigável de carinho ou despedida em direção a Dato, ele interpreta o momento de vulnerabilidade dela como uma abertura. Dato a puxa para um beijo íntimo e invasivo.O que torna a cena impactante é a complexidade da reação de Nica: Ela não esperava por aquilo, e o beijo cruza uma linha física que a deixa exposta mais uma vez.

 Assim como o resto do filme, não há um grande confronto dramático. Nica se afasta, mas o peso daquele ato reverbera no silêncio. O Significado para o Casal (A Posição de Alex)O beijo acontece à vista de Alex. E é aqui que a dor psicológica do protagonista se aprofunda: Alex assiste a tudo e não reage. Após ter falhado em protegê-la do homem com a arma, Alex se sente tão desprovido de sua "autoridade" ou dignidade masculina diante de Nica que ele se vê incapaz de intervir ou confrontar o guia. O silêncio dele diante do beijo de Dato é o atestado final de sua total derrota emocional e da perda de seu papel como parceiro. Dato, intencionalmente ou não, expõe ainda mais a fragilidade e a passividade de Alex

O filme está no catálogo do MUBI


Crítica gerada pelo Gemini

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Realmente o ritmo do filme é super lento...cheguei a cochilar por alguns segundos...mas o cenário grandioso da ambientação do filme até que compensa. Minha nota: 5 de 10.

terça-feira, 22 de setembro de 2026

Filme: Acompanhante Perfeita

 




Acompanhante Perfeita (Companion, 2025), dirigido e corroteirizado por Drew Hancock e estrelado por Sophie Thatcher e Jack Quaid, é um suspense de ficção científica que mistura sátira social, humor ácido e terror. A trama subverte expectativas ao expor logo no início que a protagonista Iris é uma androide programada para submissão afetiva por seu parceiro tóxico, transformando uma viagem de fim de semana em uma caçada por autonomia.

Pontos Fortes
  • Atuações centrais: Sophie Thatcher entrega uma densidade impressionante ao alternar entre a vulnerabilidade programada e a busca por autoconsciência, bem secundada pela ambiguidade de Jack Quaid.
  • Dinamismo: O roteiro não perde tempo com enrolações e revela o grande segredo da premissa logo no primeiro ato, acelerando o ritmo.
  • Sátira e Subversão: Funciona bem como uma metáfora ácida sobre relacionamentos abusivos, posse e a objetificação nos vínculos modernos.
Limitações da Obra
  • Temas superficiais: Embora flerte com dilemas profundos sobre inteligência artificial e ética — na linha de Ex_Machina ou Black Mirror —, o filme prioriza o choque visual e o entretenimento comercial em detrimento de uma reflexão mais madura.
  • Perda de foco: O ato final desanda para um caos slasher que esvazia parte da força crítica construída inicialmente.
Conclusão
É um passatempo ágil, inteligente em sua embalagem pop, mas que peca ao não aprofundar o vasto potencial de suas próprias provocações temáticas. O filme está na Netflix.
Crítica feita pela Gemini´
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É interessante mas cai na recorrente obsessão dos filmes atuais em fazer dos homens, sempre os vilões diante das pobres mulheres oprimidas pelo patriarcado e blá blá blá. Minha nota: 6 de 10

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Filme: Anniversary – Mudança Radical

 



Anniversary – Mudança Radical (dirigido por Jan Komasa, Primevideo) é um thriller político e psicológico ambicioso que utiliza a dinâmica de uma família tradicional americana como metáfora para a fragilidade das democracias frente ao extremismo. Lançado globalmente e disponível no streaming, o filme funciona como um retrato desconfortável de como a polarização ideológica pode destruir laços afetivos profundos.

 Resumo do Enredo

A trama acompanha o casal Ellen (Diane Lane), uma professora universitária progressista, e Paul (Kyle Chandler). Durante a celebração do seu 25º aniversário de casamento, a aparente harmonia familiar começa a desmoronar com a chegada de Liz (Phoebe Dynevor), ex-aluna de Ellen e nova namorada do filho do casal, Josh (Dylan O’Brien).Liz introduz à família o manifesto de um movimento autoritário ascendente chamado "A Mudança", que defende medidas extremas como toques de recolher, vigilância e um novo contrato social. Ao longo de um período de cinco anos — culminando no aniversário de 30 anos de casamento de Ellen e Paul —, o longa retrata em capítulos como o avanço desse totalitarismo infecta a sociedade e transforma o lar dos Taylor em um violento campo de batalha ideológico.

O Acerto: A Invasão Doméstica do Fascismo

O maior mérito do diretor Jan Komasa está na construção da atmosfera de paranoia claustrofóbica. Em vez de focar em grandes exércitos ou cenários pós-apocalípticos óbvios, o filme brilha ao mostrar as microagressões cotidianas. A escolha de manter o movimento "A Mudança" deliberadamente vago (um MacGuffin conceitual) é perspicaz: permite que qualquer espectador, independente do espectro político, identifique ali os sinais de alerta do radicalismo contemporâneo.

As performances sustentam o peso dramático. O embate intelectual e geracional entre Diane Lane (a estabilidade democrática em declínio) e Phoebe Dynevor (o radicalismo sedutor e implacável) dita o ritmo sufocante da produção.

O Erro: Ambição Narrativa vs. Tempo de Tela

O calcanhar de Aquiles da obra reside em seu escopo. Ao tentar abraçar o impacto da ditadura na vida de quatro filhos e seus respectivos núcleos ao longo de meia década, o roteiro de Lori Rosene-Gambino acaba se fragmentando. Muitas subtramas e conflitos morais instigantes — como as reações dos outros filhos (vividos por Zoey Deutch e Mckenna Grace) — surgem de forma potente, mas são abandonados ou resolvidos às pressas para que a linha temporal principal avance até o próximo aniversário. O filme distribui sua atenção de forma desigual, fazendo com que o clímax emocional perca um pouco do impacto que o elenco talentoso poderia entregar.

 Considerações Finais

Anniversary – Mudança Radical é um espelho desconfortável dos tempos atuais. Embora tropece na condução de suas múltiplas narrativas secundárias, o filme é um suspense político provocativo e necessário. Ele triunfa ao lembrar o espectador de que o colapso democrático não começa nos palácios do governo, mas sim na perda de empatia ao redor da mesa de jantar.


O filme é interessante mas me pareceu que as discussões e desenvolvimento de personagens de fato, ficaram prejudicadas. Minha nota: 6 de 10

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Filme: Mayday

 



O filme Mayday (2026) é uma divertida comédia de ação da Apple TV+ que funciona muito bem como entretenimento nostálgico, mas esbarra em uma mensagem política excessivamente simplista e ingênua. Dirigido pela talentosa dupla John Francis Daley e Jonathan Goldstein (conhecidos por A Noite do Jogo e Dungeons & Dragons), o longa revisita o cinema de ação dos anos 1980 sob um verniz de paródia moderna, equilibrando piadas rápidas com sequências de combate surpreendentemente bem coreografadas.

A Trama

A história acompanha o tenente da marinha americana Troy "Assassin" Kelly (Ryan Reynolds), que é abatido em território soviético durante uma missão secreta na Guerra Fria. Preso atrás das linhas inimigas, ele é forçado a formar uma aliança improvável com Nikolai Ustinov (Kenneth Branagh), um ex-agente da KGB desiludido com o próprio governo. Enquanto fogem dos militares russos, os dois precisam aprender a confiar um no outro para que Troy possa voltar para casa e Nikolai consiga asilo político nos Estados Unidos.

 Análise Crítica

A Química do Elenco: O grande trunfo do filme reside na dinâmica entre os protagonistas. Kenneth Branagh rouba a cena ao entregar um ex-espião melancólico e carismático, afastando-se da caricatura russa comum em Hollywood. Já Ryan Reynolds entrega o esperado de sua persona, embora mude levemente de tom ao viver um personagem que lida com dramas familiares e questões de paternidade.

Direção e Visual: Daley e Goldstein provam mais uma vez sua habilidade de misturar gêneros. O filme é visualmente sofisticado, com planos bonitos, fotografia de qualidade e um excelente uso da tensão para gerar humor de forma natural. O clímax abraça o absurdo de maneira consciente e divertida.

O Calcanhar de Aquiles (A Mensagem Política): O ponto mais fraco da produção é a sua tentativa de discutir a polarização ideológica. Na ânsia de humanizar o povo soviético (o que não é um problema por si só), o roteiro tenta criar uma equivalência moral rasa entre os Estados Unidos e a União Soviética. Ao sugerir que ambos os sistemas eram essencialmente "iguais em defeitos", o filme ignora as profundas disparidades históricas em relação a direitos humanos e liberdades individuais.

Mayday derrapa ao tentar entregar uma mensagem política profunda e cai na armadilha da caricatura em alguns momentos. Contudo, se o espectador relevar o pano de fundo histórico simplificado, encontrará uma comédia de ação extremamente eficiente, engraçada e com um ritmo impecável. É uma excelente opção de entretenimento descompromissado para o catálogo de streaming.


Filme muito bom, gostei demais. Nota 9 de 10.



terça-feira, 15 de setembro de 2026

Filme: Golpe Explosivo




O filme Golpe Explosivo (Fuze), disponível no Prime Video, é um thriller policial britânico que entrega um ritmo acelerado e ótima tensão inicial, mas tropeça no excesso de reviravoltas no terço final. Dirigido por David Mackenzie (conhecido pelo aclamado A Qualquer Custo), o longa de 2026 equilibra ação psicológica e o clássico subgênero de assalto (heist movie).

O Enredo

A história se passa no coração de Londres e se desenvolve em três núcleos paralelos que se conectam rapidamente:

A Ameaça: Operários da construção civil descobrem uma bomba não detonada da Segunda Guerra Mundial.

O Caos: As autoridades e o exército ativam uma evacuação em massa de milhares de civis na região.

O Golpe: Sob o comando do calculista Karalis (Theo James), uma gangue de elite aproveita as ruas desertas para invadir um cofre de joias e diamantes.

Enquanto o Major Will Tranter (Aaron Taylor-Johnson) lidera o tenso esquadrão antibombas para desarmar o artefato histórico, os criminosos agem no subsolo.

Análise Crítica

 Pontos Fortes

Construção de Tensão e Direção: David Mackenzie demonstra excelente domínio técnico na primeira metade do filme. A atmosfera de uma Londres completamente vazia (com direito a raposas cruzando o asfalto) evoca uma sensação de isolamento muito eficiente.

Montagem e Ritmo: A transição entre o desarmamento da bomba e o assalto ao banco é ágil. O filme não perde tempo com didatismos desnecessários, mantendo o espectador envolvido na engenhosidade do plano.

Atuações Convincentes: O elenco principal, liderado por Aaron Taylor-Johnson e Theo James, sustenta bem a dualidade psicológica dos personagens.

 Pontos Fracos

O Complexo de "Quero Ser Inteligente": O grande pecado do roteiro é a obsessão por plot twists (reviravoltas) no ato final. Em vez de focar no suspense realista construído, o filme tenta enganar o espectador repetidamente sobre quem está do lado de quem.

Previsibilidade e Clichês: Apesar de tentar parecer inovador, o principal segredo que interliga o trio de protagonistas é facilmente decifrado por quem consome thrillers de ação.

Desfecho Explicativo: O filme sofre com um encerramento arrastado, onde gasta minutos preciosos explicando didaticamente como as autoridades foram enganadas. Essa escolha quebra o clímax emocional e deixa a experiência com um tom genérico.

Veredito - Golpe Explosivo funciona como um ótimo entretenimento de fim de semana (um clássico "filme de pai"), focado em ação direta e manipulação. Ele não chega ao nível das melhores obras do diretor, mas garante 96 minutos de boa distração se você relevar o desfecho mirabolante.

Gostei do filme. Nota 7 de 10

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Filme: O Cheiro do Ralo

 


Dirigido por Heitor Dhalia e lançado em 2007, O Cheiro do Ralo é uma das obras mais originais, ácidas e perturbadoras do cinema contemporâneo brasileiro. Baseado no livro homônimo de Lourenço Mutarelli, o longa-metragem utiliza o humor negro e o minimalismo estético para construir uma alegoria visceral sobre a desumanização, o poder e o capitalismo decadente.

Abaixo, apresento um resumo crítico estruturado sobre os principais aspectos do filme:

Enredo e a "Coisificação" Humana

A narrativa acompanha Lourenço (Selton Mello), o antipático e egocêntrico dono de uma loja de penhores. Trancado em seu escritório, ele passa os dias comprando pertences de pessoas desesperadas que precisam de dinheiro rápido. Lourenço não compra apenas objetos; ele extrai prazer em submeter os clientes à humilhação, aproveitando-se da vulnerabilidade alheia para pagar valores irrisórios por itens de alto valor sentimental.

O protagonista enxerga o mundo através do valor de troca. Para ele, tudo e todos têm um preço. Essa mentalidade atinge o ápice em duas obsessões:A reconstrução da figura paterna ausente por meio de pedaços de desapegos alheios (como um olho de vidro).A mercantilização do desejo, ilustrada em sua fixação quase hipnótica pela bunda de uma garçonete local (Paula Bulamarqui), a qual ele tenta literalmente "comprar" e quantificar.

O Simbolismo do Ralo

O grande trunfo do roteiro — assinado por Dhalia e Marçal Aquino — é a metáfora que dá título à obra. Conforme Lourenço avança em sua perversidade e descolamento da realidade, um fedor insuportável começa a exalar do ralo do banheiro de seu escritório.Inicialmente, o cheiro o incomoda e causa vergonha perante os outros. Ele tenta ignorá-lo, lacrá-lo e quebrá-lo, mas o odor persiste. Gradualmente, fica claro que o ralo não é um problema hidráulico, mas sim a podridão interna do próprio protagonista e o reflexo de sua moral corrompida. No ápice de seu niilismo, Lourenço aceita o odor, reconhecendo que ele mesmo se tornou a fonte daquela imundície.

Atuação e Aspectos Técnicos

Selton Mello: Entrega uma das melhores atuações de sua carreira. Ele consegue o difícil feito de equilibrar a repulsa absoluta provocada pelas atitudes de Lourenço com um carisma magnético que prende o espectador à tela.

Direção de Arte e Fotografia: O ambiente claustrofóbico e a iluminação em tons esverdeados e cinzentos reforçam a sensação de uma atmosfera "suja" e estagnada. O escritório funciona como um purgatório moderno, isolando o protagonista do resto da sociedade.

Considerações Críticas

O Cheiro do Ralo funciona como um espelho incômodo da sociedade pós-moderna. Ele expõe como o individualismo extremo e a busca por poder transformam as relações afetivas em meras transações comerciais.

Embora o tom escatológico e a apatia do personagem possam afastar o público que busca narrativas convencionais, o filme triunfa justamente por não oferecer respostas fáceis ou redenção. É um estudo psicológico brilhante sobre o vazio existencial de quem acredita que pode comprar tudo, mas acaba consumido pela própria toxicidade.

Os atores principais e de maior destaque na trama são:

Selton Mello como Lourenço (o ganancioso dono da loja de penhores e protagonista absoluto).

Paula Braun como A Garçonete (a mulher pela qual Lourenço desenvolve uma obsessão física).

Lourenço Mutarelli como Seu Jorge (o segurança/guarda-costas silencioso da loja; Mutarelli é também o autor do livro original).

Alice Braga como Uma das clientes da loja (que tenta vender uma joia de família).

Martha Meola como Secretária (a funcionária fiel que tolera o temperamento de Lourenço).


* * ** 

Filme muito bom. Nota 9 de 10



quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Filme: Durante a Tormenta

 


Durante a Tormenta (2018), dirigido pelo cineasta espanhol Oriol Paulo e disponível na Netflix, é um intrigante suspense de ficção científica que utiliza o conceito de linhas temporais e o "efeito borboleta" para construir um quebra-cabeça emocional e psicológico. 

O filme se destaca pela sua atmosfera tensa, mas divide opiniões em sua execução narrativa.Abaixo, confira o resumo da trama e a análise crítica da obra.

 Resumo da Trama


A história acompanha Vera Roy (Adriana Ugarte), uma enfermeira que se muda com o marido (Álvaro Morte) e a filha pequena para uma nova casa. Durante uma forte tempestade elétrica idêntica a uma que ocorreu há 25 anos, Vera encontra uma televisão antiga e uma câmera de vídeo no sótão.Através de uma falha no espaço-tempo provocada pela tempestade, ela consegue se comunicar ao vivo com Nico, o menino que morava ali em 1989. Sabendo que o garoto morreria atropelado naquela mesma noite após presenciar um crime no vizinho, Vera o avisa e salva sua vida. O problema surge quando ela acorda no dia seguinte: ao alterar o passado, ela criou uma nova linha temporal. Nessa realidade alternativa, ela é uma médica renomada, mas seu marido não a conhece e sua filha nunca nasceu. Desesperada, Vera corre contra o tempo para descobrir o que aconteceu com Nico no passado e tentar recuperar a vida que perdeu.

 Análise Crítica

Pontos Fortes. Direção e Ritmo Envolventes: Oriol Paulo (conhecido por Um Contratempo) demonstra excelente domínio sobre o suspense de mistério. A primeira metade do filme é impecável em construir a angústia de Vera e a urgência de sua situação.

Atuação Central: Adriana Ugarte entrega uma performance visceral e convincente como a mãe traumatizada pela perda da filha, servindo como a âncora emocional que mantém o espectador investido na história.

Roteiro Amarrado: Embora lide com paradoxos temporais complexos, a lógica interna do filme se sustenta bem. O roteiro consegue fechar a maioria das pontas soltas sem deixar grandes furos científicos para o gênero.

Pontos Fracos. Excesso de Reviravoltas (Plot Twists): Na segunda metade, o filme se apoia excessivamente em idas e vindas de roteiro. A narrativa flerta com o melodrama e insere subtramas investigativas que esticam o filme além do necessário (são 2h05 de duração).

Romantismo Desnecessário: A resolução do mistério de algumas linhas temporais força um arco romântico que esvazia um pouco o foco principal, que deveria ser puramente o amor de Vera pela filha perdida.

 Veredicto

Durante a Tormenta é um excelente entretenimento para os fãs de suspense clássico e de ficção científica aos moldes de Efeito Borboleta e Alta Frequência. Apesar de se tornar um pouco repetitivo e cansativo em seu terço final, o longa se consolida como uma produção inteligente, com reviravoltas que funcionam e mantêm a atenção do público até o último minuto.


Gemini.

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Confesso que achei o filme confuso, e interpretei a linha temporal de forma errada, só depois fui entender o que de fato aconteceu. E sim, o filme é muito bom. Nota 8 de 10

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Filme: O Homem que Sussurra (2026)

 



O Homem que Sussurra é um suspense policial lançado pela Netflix em agosto de 2026, baseado no livro homônimo de Alex North. O filme acompanha Tom (Adam Scott), um escritor viúvo que se muda com seu filho Jake para tentar um recomeço. Quando o menino de oito anos é sequestrado seguindo o método de um antigo serial killer conhecido como "O Homem que Sussurra", Tom precisa pedir ajuda a Pete (Robert De Niro), seu pai distante e ex-detetive que prendeu o criminoso original décadas antes.

O diretor de O Homem que Sussurra é o cineasta neozelandês James Ashcroft. Ele também é conhecido por dirigir outros suspenses intensos, como o aclamado terror psicológico Coming Home in the Dark (2021) e o filme The Rule of Jenny Pen.





ATENÇÃO: SPOILLERS

No final de O Homem que Sussurra, o mistério principal é solucionado quando descobrimos que o novo assassino é Francis Carter Jr. (Owen Teague), o filho biológico do serial killer original, Frank Carter (Michael Keaton).O clímax do filme e a perturbadora reviravolta envolvendo a relação entre pai e filho trazem respostas psicológicas profundas para a trama:O Desfecho da InvestigaçãoFrancis Jr. sequestra o pequeno Jake (Acston Luca Porto) como uma forma de vingança contra o detetive Pete Willis (Robert De Niro), avô do menino e o responsável por colocar seu pai na cadeia no passado. No confronto final dentro da antiga casa, Pete consegue salvar o neto, mas é esfaqueado e morre de forma heroica. Francis tenta perseguir Jake, mas despenca quando o piso fragilizado do sótão cede. Ele sobrevive à queda e é preso. Por que o Serial Killer matou o próprio filho?  

A cena mais chocante e comentada acontece na prisão. Após ser capturado, Francis Jr. é colocado na mesma cela que seu pai, Frank Carter. Em vez de um abraço ou demonstração de orgulho, Frank estrangula o próprio filho até a morte.A motivação para esse assassinato envolve dois fatores psicológicos e narrativos cruciais:A obsessão original do assassino: Durante o filme, é revelado que Frank Carter sempre teve o desejo intrínseco de matar o próprio filho. Ele colocava panos na cabeça de suas pequenas vítimas imaginando que fossem Francis Jr. sendo estrangulado. Na juventude do garoto, Frank não o matou apenas porque isso estava muito perto de sua vida pessoal e facilitaria sua prisão imediata.A rejeição da cópia e o sadismo: Francis Jr. passou a vida inteira cometendo crimes hediondos apenas para tentar conseguir a aprovação de um pai psicopata. No entanto, Frank Carter o via apenas como uma "cópia fraca". Ao receber o filho na cela, Frank diz a frase "Pele com pele, como disseram no hospital... para criar laço com você" antes de matá-lo, ironizando o afeto paternal que ele nunca possuiu e consumando seu desejo mais antigo agora que não tinha mais nada a perder.O Toque SobrenaturalO filme encerra com Tom (Adam Scott) encontrando fotos antigas de sua falecida esposa, Rebecca. Ele descobre que, quando adolescente, ela usava o mesmo casaco azul da "amiga imaginária" que guiou e ajudou Jake a escapar do cativeiro, confirmando que o espírito da mãe estava protegendo o menino.

* * * 

Filme muito bom, minha nota, 8 de 10

Filme: O Último Nascer do Sol (2026)

 


O Último Nascer do Sol (2026), longa-metragem original do Prime Video, tenta equilibrar o melodrama de superação com o escapismo visual dos romances de verão, mas tropeça na superficialidade narrativa e no desenvolvimento apressado de seus personagens. 

Dirigido por Carlson Young e adaptado do livro homônimo de Anna Todd (autora da franquia After), o filme foca em Oriah "Ry" Pera (Maia Reficco), uma jovem de 22 anos que lida com o diagnóstico de esclerose tuberosa. Ao viajar para Maiorca, na Espanha, com sua mãe superprotetora Isolde (Eva Longoria), Ry encontra uma inesperada sensação de liberdade e se apaixona pelo pescador local Julián (Fernando Lindez).

A trama constrói o romance sob a constante sombra da mortalidade e da urgência de viver o presente. O título do longa faz alusão ao medo que a protagonista tem do amanhã e de uma cirurgia de alto risco. A reviravolta final redefine essa metáfora: o "último nascer do sol" não simboliza a morte física de Ry, mas sim o encerramento de uma vida paralisada pelo medo e o início de uma jornada de aceitação e resiliência ao lado de Julián. 

A cinematografia é o ponto alto do filme, utilizando as belas paisagens de Maiorca para criar uma atmosfera calorosa, solar e poética. Maia Reficco entrega uma atuação carismática e simpática. Sua dinâmica inicial com Fernando Lindez sustenta o interesse do público infantojuvenil. O conflito entre o confinamento bem-intencionado gerado pela superproteção de Isolde e o desejo de independência de Ry é um dos arcos emocionais mais honestos do roteiro.

 O relacionamento entre Ry e Julián acontece rápido demais. A pressa em avançar a história impede que o espectador sinta o peso dramático das dificuldades do casal. Além da doença crônica, o roteiro tenta injetar "segredos de família" e conflitos do passado entre os pais dos jovens, deixando o terço final sobrecarregado e superficial. O filme recorre com frequência a clichês de romances trágicos para arrancar lágrimas fáceis, falhando em criar diálogos ou reflexões verdadeiramente profundas sobre a vida e o luto. O Último Nascer do Sol funciona bem como um romance leve de fim de semana, cumprindo os requisitos de produções focadas no público Young Adult. 

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É um filme meio Sessão da Tarde mas eu gostei. Minha nota: 6 de 10




E como vai o STF?