O Último Nascer do Sol (2026), longa-metragem original do Prime Video, tenta equilibrar o melodrama de superação com o escapismo visual dos romances de verão, mas tropeça na superficialidade narrativa e no desenvolvimento apressado de seus personagens.
Dirigido por Carlson Young e adaptado do livro homônimo de Anna Todd (autora da franquia After), o filme foca em Oriah "Ry" Pera (Maia Reficco), uma jovem de 22 anos que lida com o diagnóstico de esclerose tuberosa. Ao viajar para Maiorca, na Espanha, com sua mãe superprotetora Isolde (Eva Longoria), Ry encontra uma inesperada sensação de liberdade e se apaixona pelo pescador local Julián (Fernando Lindez).
A trama constrói o romance sob a constante sombra da mortalidade e da urgência de viver o presente. O título do longa faz alusão ao medo que a protagonista tem do amanhã e de uma cirurgia de alto risco. A reviravolta final redefine essa metáfora: o "último nascer do sol" não simboliza a morte física de Ry, mas sim o encerramento de uma vida paralisada pelo medo e o início de uma jornada de aceitação e resiliência ao lado de Julián.
A cinematografia é o ponto alto do filme, utilizando as belas paisagens de Maiorca para criar uma atmosfera calorosa, solar e poética. Maia Reficco entrega uma atuação carismática e simpática. Sua dinâmica inicial com Fernando Lindez sustenta o interesse do público infantojuvenil. O conflito entre o confinamento bem-intencionado gerado pela superproteção de Isolde e o desejo de independência de Ry é um dos arcos emocionais mais honestos do roteiro.
O relacionamento entre Ry e Julián acontece rápido demais. A pressa em avançar a história impede que o espectador sinta o peso dramático das dificuldades do casal. Além da doença crônica, o roteiro tenta injetar "segredos de família" e conflitos do passado entre os pais dos jovens, deixando o terço final sobrecarregado e superficial. O filme recorre com frequência a clichês de romances trágicos para arrancar lágrimas fáceis, falhando em criar diálogos ou reflexões verdadeiramente profundas sobre a vida e o luto. O Último Nascer do Sol funciona bem como um romance leve de fim de semana, cumprindo os requisitos de produções focadas no público Young Adult.
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É um filme meio Sessão da Tarde mas eu gostei. Minha nota: 6 de 10
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