sábado, 26 de setembro de 2026

A Casa Torta, 2017

 


O filme A Casa Torta (Crooked House, 2017), baseado em um dos livros favoritos de Agatha Christie e disponível na HBO Max, é um suspense de mistério elegante, mas que peca pela falta de ritmo e por um protagonista apagado. Embora traga a clássica e deliciosa estrutura de "quem matou?" (whodunnit), a direção de Gilles Paquet-Brenner entrega menos tensão do que o material original exigia. 

A história acompanha o detetive Charles Hayward (Max Irons), que é contratado por sua ex-amante, Sophia (Stefanie Martini), para investigar a morte por envenenamento do patriarca bilionário Aristide Leonides em sua mansão isolada.

Co-escrito por Julian Fellowes (criador de Downton Abbey), o roteiro consegue transpor os diálogos ácidos e as dinâmicas aristocráticas da obra de 1949. O duplo sentido do título original (Crooked serve tanto para a arquitetura física quanto para a moral "torta" daquela família) é muito bem explorado.

A Grande Reviravolta: O ápice do filme reside no desfecho chocante. Fiel ao livro, o final aborda temas sombrios como a psicopatia infantil, mantendo o impacto dramático e bizarro que consagrou a obra.

 O grande trunfo do filme está nos suspeitos. Glenn Close (Lady Edith), Gillian Anderson (Magda) e Terence Stamp (Inspetor Taverner) roubam a cena com performances teatrais que refletem o tédio, a ganância e a excentricidade de personagens desconectados da realidade.

Protagonista Fraco: Em contrapartida, a atuação de Max Irons como o detetive Charles é criticada por ser inexpressiva e sem sal. Ele falha em carregar o peso do filme, tornando os interrogatórios um tanto arrastados e desconexos.

Visual Deslumbrante: A direção de arte e os figurinos são excepcionais. A ambientação da mansão funciona quase como um personagem vivo, onde cada cômodo reflete a personalidade decadente e claustrofóbica de seus moradores. 

O diretor peca ao insistir em flashbacks repetitivos sobre o romance passado dos protagonistas, o que quebra a tensão e acrescenta pouco à investigação principal. Falta ao filme aquela atmosfera pulsante de perigo iminente. A Casa Torta funciona como um bom entretenimento "confortável" para os fãs de mistérios clássicos em ambientes fechados. Ele brilha em seus aspectos técnicos e no elenco de veteranos, mas perde pontos pelo ritmo lento e pela falta de carisma de seu herói. Vale o play na HBO Max especialmente pelo seu terço final e pela coragem de manter o encerramento trágico escrito por Agatha Christie.

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Análise do Genini

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Sou fã dos livros da Agatha Christie e já vi outros filmes adaptados da sua obra. Como diz o Gemini e eu concordo, o ritmo peca um pouco e o final abrupto e trágico me deixou com uma sensação de que aquilo poderia ter sido feito melhor. Minha nota: 7 de 10.

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Filme: Eu Vi o Diabo

 



Dirigido por Kim Jee-woon e lançado em 2010, o aclamado thriller sul-coreano Eu Vi o Diabo (Akmareul boatda) acompanha um agente secreto (Lee Byung-hun) que caça de forma sádica e implacável o serial killer (Choi Min-sik) responsável pelo brutal assassinato de sua noiva, transformando a vingança em um ciclo de extrema crueldade moral.

O filme foge das estruturas tradicionais de suspense ao estabelecer o conflito principal logo nos minutos iniciais. O agente Kim Soo-hyeon não quer apenas entregar o criminoso Jang Kyung-chul à lei; ele deseja infligir dor física e psicológica equivalente à que sofreu.

O herói cruza limites éticos profundos.O caçador adota métodos tão monstruosos quanto os da presa.A justiça cede lugar a um sadismo pessoal e metódico. A grande força da obra está na inversão constante de papéis. Choi Min-sik interpreta um psicopata visceral, que não possui motivações complexas ou arrependimento, agindo como a pura personificação do mal instintivo. À medida que Soo-hyeon o persegue, tortura e deixa escapar propositalmente apenas para caçá-lo de novo, o agente perde sua humanidade. O filme questiona quem é o verdadeiro monstro da história.A linha divisória entre o bem e o mal se apaga por completo. A violência gráfica serve como reflexão sobre o custo corrosivo da vingança.

(Gemini)


Superficialmente, o filme pode ser visto como a velha narrativa da vingança consumindo o vingador, e até certo ponto, é exatamente isso. Vemos a tristeza tomando conta de Soo, transformando-se em ódio e obsessão, construindo todo o arco de desumanização do personagem. Porém, a obra acaba usando a temática como uma forma de expressar algo mais melindroso, profundo e ambíguo: a crueldade da natureza humana. Primeiramente, o cineasta concebe um paralelo entre os dois protagonistas. Soo está, inicialmente, sempre limpo, organizado e determinado, enquanto Jang é o símbolo da malignidade; ensanguentado, sujo e desordenado. E aos pouquinhos, o típico retrato do bem e do mal vai perdendo a força, ficando borrado. Os papéis de vítimas se invertem constantemente, e a trama toma ares de uma competição perversa – com um teor de humor negro -, no qual a vingança em si perde o propósito, restando a mera selvageria.

Eu Vi o Diabo (Angmareul boatda) — Coréia do Sul, 2010
Direção: Jee-woon Kim
Roteiro: Jee-woon Kim, Hoon-jung Park
Elenco: Byung-hun Lee, Min-sik Choi, Jeon Gook-Hwan, Ho-jin Chun, San-ha Oh, Yoon-seo Kim, Moo-seong Choi, In-seo Kim
Duração: 144 min.

O FILME ESTÁ NO MUBI

((Plano Crítico)



O filme de fato é um espetáculo de violência gráfica extrema que ilustra perfeitamente o que o diretor quer mostrar: que a natureza humana caminha em uma corda bamba entre justiça, vingança e barbárie.

Minha nota: 10 de 10.


quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Filme: Planeta Solitário

 



Planeta Solitário (The Loneliest Planet, 2011), dirigido por Julia Loktev e estrelado por Gael García Bernal e Hani Furstenberg, é um drama minimalista que se passa nas montanhas do Cáucaso, na Geórgia. O filme acompanha um casal prestes a se casar em uma caminhada guiada que sofre uma reviravolta sutil, porém devastadora, quando um momento de perigo expõe a fragilidade e a covardia momentânea dele, destruindo a confiança mútua.

A diretora usa a imensidão árida e opressora das montanhas como um espelho do vazio emocional. A natureza grandiosa diminui os humanos, transformando a caminhada em um estudo psicológico sufocante.

Sem recorrer a grandes tragédias hollywoodianas, o roteiro aposta em um incidente menor. A reação instintiva de Alex de se proteger antes de Nica quebra o pacto invisível de segurança do casal.

 As interpretações de Bernal e Furstenberg são cruciais. O filme evita diálogos excessivos, deixando que silêncios, olhares e o peso do corpo transmitam a decepção, o julgamento e o desconforto.

Críticos apontam que a obra funciona como um teste de paciência: para alguns, é uma disseprocção brilhante e realista de como o amor pode ruir em segundos; para outros, o ritmo contemplativo beira o enfadonho pelo excessivo prolongamento da premissa.

A cena da virada ocorre de forma abrupta e dura apenas alguns segundos, mudando completamente o tom do filme. Durante a caminhada pelas montanhas da Geórgia, o casal (Alex e Nica) e o guia local (Dato) encontram no meio do nada três camponeses locais. Inicialmente, o encontro parece apenas um momento tenso de choque cultural, mas a situação escala rapidamente quando um dos camponeses aponta uma espingarda na direção do grupo. Nesse milésimo de segundo de perigo iminente, o instinto de sobrevivência fala mais alto: Alex reage instintivamente dando um passo para trás e usando o corpo de Nica como um "escudo humano" invisível, colocando-a entre ele e a arma. Logo em seguida, o guia Dato intervém calmamente, acalma os homens e o perigo passa. Ninguém se fere e os camponeses vão embora. No entanto, o estrago psicológico já está feito.

O que torna essa cena brilhante e devastadora é que o "crime" de Alex dura menos de dois segundos, mas é imperdoável para a dinâmica do casal. Não há gritos ou discussões após o ocorrido; o resto da viagem é sufocado por um silêncio insuportável. Nica percebe que, no momento mais extremo, o homem com quem ela ia se casar priorizou a própria vida em vez de protegê-la.

Após o incidente com a arma, a dinâmica do trio muda drasticamente. O abismo emocional que se abre entre Nica e Alex cria um espaço vulnerável, e é exatamente aí que o guia, Dato, entra. A cena carrega vários significados profundos para a narrativa.

Pouco antes, o filme estabelece uma aproximação entre Nica e Dato. Ele compartilha com ela um pouco do seu passado melancólico (revelando que sua esposa o deixou e que ele vive em extrema solidão). Há um sentimento latente de fragilidade no ar. Nica está profundamente machucada pela covardia de Alex, e Dato representa a figura de proteção — afinal, foi ele quem manteve a calma e desarmou a situação de perigo.

Quando Nica faz um gesto amigável de carinho ou despedida em direção a Dato, ele interpreta o momento de vulnerabilidade dela como uma abertura. Dato a puxa para um beijo íntimo e invasivo.O que torna a cena impactante é a complexidade da reação de Nica: Ela não esperava por aquilo, e o beijo cruza uma linha física que a deixa exposta mais uma vez.

 Assim como o resto do filme, não há um grande confronto dramático. Nica se afasta, mas o peso daquele ato reverbera no silêncio. O Significado para o Casal (A Posição de Alex)O beijo acontece à vista de Alex. E é aqui que a dor psicológica do protagonista se aprofunda: Alex assiste a tudo e não reage. Após ter falhado em protegê-la do homem com a arma, Alex se sente tão desprovido de sua "autoridade" ou dignidade masculina diante de Nica que ele se vê incapaz de intervir ou confrontar o guia. O silêncio dele diante do beijo de Dato é o atestado final de sua total derrota emocional e da perda de seu papel como parceiro. Dato, intencionalmente ou não, expõe ainda mais a fragilidade e a passividade de Alex

O filme está no catálogo do MUBI


Crítica gerada pelo Gemini

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Realmente o ritmo do filme é super lento...cheguei a cochilar por alguns segundos...mas o cenário grandioso da ambientação do filme até que compensa. Minha nota: 5 de 10.

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Aula Prática

 

Alunos da PM ficam encurralados em tiroteio na Avenida Brasil


Será que era uma aula prática? Ou foi uma aula obrigatória? Rio de Janeiro não é para os fracos.



E como vai o STF?